06 junho 2010
Solidão cruel
Ó solidão cruel
Coisa que ninguém cobiça
Nem os passarinhos do ar
Ó solidão medonha
Ó solidão podes crer
Porque tanta raiva me tens,
Assombras a minha vida
No meio de horas vãs!
Atormentas tanta gente
Devassando-lhe o passado,
Devoras-lhe o presente
E caminhas de lado a lado.
Sentimento amaldiçoado,
Porque me olhas assim
E não me deixas descansado!..
Solidão amargurada
De onde vens! P’ra onde vais,
Refugia-te em teu silêncio
Não me faças padecer mais.
Nem os bichinhos da terra,
Nem as estações do ano
Clamam pela tua miséria!
Mesmo posta de lado
Nunca te deixas vencer,
Abraças o ser humano
Redobrando teu prazer…
Que tanto tu atrapalhas,
Passas por cima de tudo
Como se fosses pirralha.
Ó solidão profunda
Que ninguém pode mandar,
Comparada com o espinho
Que a todos quer cravar…
Boa companhia não és,
Penetras no ser humano
Inunda-lo até aos pés…
Tua angústia deprime
Teu sentimento destrói,
Ó solidão malvada
No íntimo de cada um dói …
A dor da alma
Hoje acordei, bem-disposta cheia de energia,
Cheia de amor para dar, a alguém com quem partilhava o leito
Que sempre disse me amar, mas que nunca encontrou esse jeito,
Talvez magoar-me em troca, ou por despeito.
Levantei-me atravessei o quintal, o meu coração começou a sangrar,
Era como um punhal atravessar o meu peito,
Que angustia, que dor, que travessura malvada,
Que me dói como uma condenada.
As plantas também têm vida, Deus assim o quis,
Não vamos nós fazer sangrar sua ferida,
Arrancá-las é uma maldade!
Porquê fazer essa crueldade?
Tenho que desabafar, senão desfaleço,
Já não consigo controlar a razão do meu sentimento.
Não sei o que fazer, não sei o que pensar, palavras, levas o vento,
Não vejo acção, nada que me anime, nada que me traga de volta
A doçura ao meu coração, e a leveza do meu pensamento.
Quero acreditar que algo está para chegar,
Mas a esperança é dura e faz-me desanimar,
Talvez um milagre, só Deus sabe, todos os dias peço
Nas minhas orações, que no dia-a-dia confesso.
No meio desta amargura, alguém me enche de ternura,
Os meus filhos, que me dão tanta doçura,
São os amores da minha vida, por quem eu quero viver,
Eles são a minha alegria, são a razão do meu prazer.
Ó vida Cruel, porque havia de nascer!
E porque às vezes tenho tanta vontade de viver?
Será que vale a pena! é uma pergunta que faço,
Por vezes sinto um vazio e resposta eu não acho.
Há quem diga que sou triste, o meu olhar o transmite,
Mas disfarço muito bem, sou alegre por natureza,
A minha alma transporta modéstia e singeleza.
Vida de vidas
Vida de vidas, eu sempre vivi,
Que sina é a minha que não conheci!
Voltei a pensar mas que podridão!
Viver reviver é minha paixão,
Óh vida cruel! que raiva me tens!..
Só cresço em sonhos porque me deténs!
Ó quanto eu sofro sem ningém saber.
Mas mesmo assim eu quero viver,
Agarro a vida com todo o meu ser
Por acaso a vida eu conheci?
É certo que não, passou-me ao lado,
Não dei por mim.
Procurei-a então, algo me dizia,
Já era tarde, já não existia,
Mas mesmo assim eu não desisti,
Quero acreditar que a vida sorri!..
Não sei se vale a pena esta ilusão,
Só vós sabeis a minha paixão,
Há algo que apaga a minha alegria,
Mas meus olhos brilham ao romper do dia.
Por acaso a vida algum dia presta!
O destino é nosso, porquê esta dita,
Alguém transporta o que acredita!
Que pena que é tarde, é tarde para amar,
Alguém dizia, esta frase correta,
Era a poesia que estava certa.
Esta mera vida é a minha paixão!
Enlouqueço se penso, enlouqueço se vivo,
Dai-me esperança que seja sorriso.
Cada dia que nasce vem a solidão,
Mais um sonho desfeito, é imperfeição,
Mas eu vou lutar sem perder a razão!..
Se algum dia puderes, vais-me entender,
Agarro a vida com todo o meu ser!
Sou forte bastante para aguentar,
Algo me diz que é bom sonhar...
Vidas sofridas
Vida de vidas, porque as levais
Que vida é essa, que não deixais!
Se o destino é esse como avançar?
Ignorar sem mêdo saber começar!!!
Vidas sem luz porque as criais!
Por acaso os homens, vós não amais?
A natureza cansada faz-nos pensar
É mal tratada por ninguém a amar...
Vulcões irados estão a vomitar
Aquilo que os homens fazem sem pensar,
As armas anseiam, com a guerra acabar
Mas o homem não presta quer continuar!!!
O orgulho no mundo é podridão!
O ser humano faz a desunião,
Que luta é esta?
Que sina é a nossa?
Por acaso o destino cada um transporta?...
18 dezembro 2009
Natal
Aproxima-se esta quadra
Que é bela e natalícia,
É a quadra do natal
Que nos traz tanta delícia.
As famílias reunidas
Em momentos de calor,
Lá fora faz tanto frio
Mas Jesus nasceu de amor!..
Desembrulham-se os presentes
Visitamos o presépio
Partilha-se a alegria,
Saboreia-se a ceia
Que é de tanta iguaria!..
Segue-se a Missa do Galo
Que é de tal obrigação,
Enche-nos de orgulho
Cada qual que é cristão!..
No meio de tanta alegria,
Adoramos o menino
Filho da Virgem Maria!..
Esquecemos a tristeza
E pobreza que vai nas ruas
Mergulhamos nas guloseimas
Esquecemos as amarguras!..
Se sempre fosse Natal,
O mundo seria melhor,
Não haveria pobreza
Só existiria o amor.
O mundo seria melhor,
Não haveria pobreza
Só existiria o amor.
Tanta riqueza se esbanja
Apenas três dias só
Dos homens tão comodistas
Deste mundo que até faz dó.
Apenas três dias só
Dos homens tão comodistas
Deste mundo que até faz dó.
11 agosto 2009
Diálogo entre árvores
A Amoreira e a Cerdeira
Também tinham o que falar,
Murmuravam de baixinho
Dialogavam sem cessar!...
-Tanta paulada que levo
Que não dá para descansar,
As crianças da escola
Vêm todas mendigar!…
Há dias que pão não comem
Para a fome saciar,
Largam as brincadeiras
Para nos virem espancar!...
Ó Cerdeira ! tu não sabes?
As feridas que eu já causei,
Tantas cabeças abertas,
Tanto sangue derramei!...
Muita criança já vi,
Todas elas adorei!
As pancadas que me deram
Foram carinhos que troquei!...
Se me dissessem um dia
Que eu iria descansar,
É certo que não sabia
Que esse dia ia chegar!...
Dizia então a Cerdeira
Prá amoreira do largo:
-Não te queixes sorrateira,
Que o meu dia vai chegar
Já vejo até o machado
Com que me vão derrubar!...
Estes brincos de princesa
Que ajudei a colocar,
Eram crianças humildes
Querendo-me cumprimentar!...
Esta árvore já cansada
De tanto fruto criar,
É certo que estou no fim,
Os meus dias vão findar!..
21 março 2009
Dia do pai
Eu não te esqueci,
Jamais te esquecerei,
Estás no meu peito, no meu coração,
És a razão do meu ser
Só por Deus te encontrarei.
Entrei na igreja e de ti me lembrei,
Ofereci minha oração
Pelas vezes que te amei.
Foste meu pai, foste minha mãe,
Protegeste-me sempre por onde eu andei.
Neste dia especial
Quero-te agradecer por aquilo que sou
Pelo que sei viver, sempre ao acordar
Quero contemplar...
Nesta hora de saudade
Minha lágrima está a ceder
Sabes que sou sensível
É a minha maneira de ser.
A forma como me educaste,
Como posso eu esquecer!
Ensinaste-me boas maneiras,
A forma de respeitar
E como o devia fazer.
Cresci junto de ti
E nesse lugar me criei,
Os carinhos que me deste


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