19 novembro 2013

Insónia


















No meio deste labirinto,
oculto até o pensar,
ando pra cá e pra lá,
não sei mais onde estar.

Perco-me durante o sono,

perco-me ao amanhecer,
perco-me durante o dia,
e até no entardecer.

Esta mera coincidência,

esta forma de meditar,
este strss mundano,
faz-me até atrapalhar.

quero renovar o intelecto,

quero recapitular,
quero entrar na poesia,
não a quero desperdiçar.

Ela é minha alegria,

ela é minha vitória,
ela é companheira,
é um pouco da minha história.

É um pedaço de mim,
quando me vem visitar,
mas se acaso me falta,
já me está a atrapalhar.

esta doce companhia,

nasceu no meu coração,
visita a minha mente,
e faz em mim uma paixão...


28 abril 2013

Diálogo da uva à parra



















A uva diz à parra,
não me estorves por favor,
deixa-me apanhar sol,
que me dá tanto sabor!
ao contrário de ti,
que vais ficando sem valor,
ficas triste amarelada,
cais sem nenhum pudor...


Não me subestimes assim
tenho direito à vida,
protejo-te na videira
quando ficas em ferida,
toda sou feita em lágrimas
choro da videira à flor,
transformo-me em rebento,
guarda a sete chaves 
no Santíssimo Sacramento...


Eu sou aquela que alimento
e me transformo em sumo,
sou alegria do povo 
à medida que há consumo,
Sou por Deus abençoado
entre qualquer outro fruto,
ao ser em vinho transformada 
e engarrafada em bruto...

Sou aquela que Deus quer

abençoada no altar,
transformo-me 
em sangue de Cristo,
na "Patena" comungar
sou doirada ou escura
porque Deus assim o quis,
transformo-me em vinagre
dentro de qualquer almofariz...

Sou transformada em licor 

dos mais variados sabores,
faço as delícias da mesa
seja de que maneira for,
também alegro o ser humano
até nas mesas Reais,
tenho minhas qualidades
nem preciso falar mais!!!..





01 abril 2013














As estrelas do céu rompem, 
no meio da escuridão,
vêm alegrar a noite,
 por entre a solidão,
cada qual é a mais bela, 
de todas não há igual,
são maravilhas do mundo,
criadas sobrenatural!..
Todas elas deslumbrantes,
com tanta luz a brilhar,
Deus foi quem as criou,
à terra as enviou,
para o homem alegrar.
Elas fazem companhia,
numa noite de luar,
são milhões e milhões,
ninguém pode controlar,
o firmamento agradece,
e se põe a cintilar,
de alegre regozijo,
o céu vos quer saudar!...

23 março 2013

Automóvel museu

















O automóvel museu,
que por ambição tencionava,
fazer parte da família,
por pressão ficar em casa...

Deu ralações turbulentas,

parecia até falar,
porque tanto empancava,
e porque estava a incomodar...

Dei asas à imaginação,

e comecei a palpitar,
a inveja é um prato,
que só sabe atrapalhar...

Será que o miserável,

não quer outro em seu lugar?
Por tantos anos de casa,
querer-me assim torturar...

Resolvi o problema,

já de tal indignação,
devolvi-o ao ferro velho,
por despensa e traição... 

                      

A sanita a murmurar

















A sanita a murmurar,
que triste sorte é a minha,
levo com cada traseiro,
esta é a minha sina!

Seja suja ou limpa,

tudo me vai procurar,
quando chega aquela hora,
que não podem retardar.

Barulhentos malfadados,

qualquer seja o cidadão,
todos me olham de lado,
em qualquer ocasião.

Estou sempre à vossa espera,

e até à disposição,
dos vossos atrevimentos,
e da falta de educação.

Ninguém me leva a sério,

todos saem atrevidos,
antes que lhe retrate,
todos e qualquer gemido.

Pestilento  ou perfumada,

nunca me dão sossego,
assim lamento a minha sorte,
porquê este flagelo!

Uns mais gordos, outros magros,

pequenos ou rechonchudos,
quer de noite quer de dia,
são para mim tão maçudos...


09 março 2013

Paredes de vidro


            
















Ai se as paredes falassem, 
tanta coisa elas diriam,
Por vezes coisas lindas,
outras crimes descobriam...
Pecados quem os Não os tem, 
que ás paredes não confesse!
Dos amores pruibidos,
até o chão se compadece...

Paixões, furtos, traições,
todas elas os escondem,
Nas mais profundas raízes,
que as rochas os decompõem...
As rosas dos roseirais,
tantas vezes as revestem,,
Assim ficam camufladas,
dos segredos que conhecem.

Daquelas quatro paredes,
com as telhas nos telhados,
Também reza a tradição,
que há segredos bem guardados,
Daqueles mais cabeludos,
que nem as formigas os sabem!
Faz parte do dia-a-dia,
de imperfeições  intragáveis…

As paredes sorrateiras,
sempre à espera de alguém,
Fecham-se a sete chaves, 
como não haja ninguém,
Esta é a sina delas,
o destino que Deus lhe deu,
Olhar pelo ser humano,
e resguardá-lo de alguém...
As paredes por vezes,
Ornadas de roseirais,
Também  se queixam dos espinhos,
Que as rosas  perfumais…            

Aquilo que já foi meu


              


Flor-de-liz era a mais bela
de cheiro purificador,
Um dia amanheceu algures
com o nome de uma flor,
cantinho pequeno e airoso
perfumado que nem um jardim,
era o nome do meu espaço,
onde não faltava o jasmim!..
pequeno e acolhedor
agradável de visitar,
onde continha perfumes
atraentes de cheirar,
era o meu pequeno espaço
que um dia eu criei,
com simpatia e carinho 
onde o meu pão eu ganhei...
dos meus clientes não esqueço
vejo um a qualquer canto,
lembro ainda o perfume.
Que cada um adorava tanto!..
dos mais variados aromas 
e acabados de chegar,
entrava ali tanta gente
com o intuito de cheirar.
Era lugar de atracção,
do pequeno ao mais idoso
ninguém ficava indiferente, 
queriam ver novidades
das quais reparavam sempre.
Dos Natais que ali passei, 
nunca me vou desfazer!..
Eles estão na minha memória,
ainda ao amanhecer,
conquistei a simpatia
de um sem número de clientes
doçura de cada um deles,
ainda está na minha mente.